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Muita coisa mudou, para mal e para bem.
Para mal, a suspensão, quase total, do debate informativo que é cada vez mais necessário; como se tudo tivesse sido dito durante a campanha do referendo o que está muito longe de ser verdade. Os que aceitam o abortamento sem justificação médica e os que o não aceitam deviam ter continuado a apresentar os seus argumentos para que o elevado número de cidadãos que se abstiveram consiga obter todas as informações necessárias a uma votação consciente e responsável, se vier a haver novo referendo. Oxalá esta iniciativa do JN reabra o debate.
Para mal, a continuada falta de informação numérica fiável sobre aspectos fulcrais do debate entre os partidários do sim e os do não. Quantos abortamentos legais foram praticados no Serviço Nacional de Saúde? Em que hospitais e em que serviços? Por doença da mãe, por malformação grave do filho, por violação? Quantos abortamentos clandestinos e ilegais terão sido praticados? Em que clínicas (portuguesas e espanholas?). Em que vãos de escada? Que complicações foram tratadas em hospitais? Quantas mulheres morreram? Quantos novos casos de gravidez em adolescentes foram registados?
Que destino tiveram? Qual o nível educacional destas jovens? Em que região do País há maior número de casos de adolescentes grávidas, proporcionalmente. Como estão a actuar os Centros de Planeamento Familiar? Quantas acções concretas foram realizadas para a formação da nossa juventude, masculina e feminina, no grande tema que é a sexualidade humana, com o seu exaltante papel na formação da personalidade de cada um, mas também com os seus riscos, que podem ser de morte?

Para bem o renovado interesse da sociedade civil, em especial de organizações religiosas e laicas em atenuar o peso dos factores sócio-económicos que podem levar a mulher grávida a pensar em pedir abortamento: o telefone SOS do Movimento de Defesa da Vida, com o apoio da Rádio Renascença, a Ajuda de Berço, locais de acolhimento de jovens grávidas abandonadas, cobardemente, pelo procreador (não lhe chamo pai porque o não merece) e rejeitadas pela família (como se o preconceito valesse mais que uma vida), e tantas outras iniciativas um pouco por todo o País, para prevenir gravidezes fora de um projecto parental responsável e para ajudar a mulher quando tais gravidezes acontecem, poupando os filhos à morte por abortamento.

Há ainda muito para fazer e será feito, por iniciativa da sociedade civil e das suas organizações religiosas e laicas.
Será feito como até hoje, sem publicidade, com respeito pela intimidade da mulher grávida e com o único objectivo de salvar e honrar cada vida humana.


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