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Não cabe a vida de um homem nos cinco minutos protocolares desta apresentação académica.
Menos ainda cabe a de Cândido Alves Hipólito Reis, uma vida enriquecida desde o tempo mágico da adolescência, no Liceu de Braga, com a leitura exaustiva dos pensadores do enígma português, no trilho fecundo aberto por Álvaro Ribeiro. Hipólito Reis formou a sua inteligência no convívio pessoal e espiritual com os mestres do saudosismo e os cultores de uma filosofia portuguesa que se enraíza no mistério da saudade.

Na preparação da sua dissertação de licenciatura em 19, trabalhou comigo num projecto de investigação em patologia hepática. Pude, então, apreciar como a disciplina mental e o rigor da reflexão filosófica de Hipólito Reis tornavam fácil a formulação de hipóteses, o desenho das experiências, a análise dos resultados e a construção das sínteses que abriam caminho para novas experiências. A tese e o trabalho que publicamos merecem ainda hoje ser lidos porque a estrutura lógica não envelheceu e algumas previsões foram confirmadas.
Logo deixou a patologia morfológica para se dedicar à patologia bioquímica.
Os seus trabalhos nesta área, antes e depois da tese de doutoramento e a própria tese de doutoramento sobre cetose e cetogénese, são sempre ensaios de interpretação e não mera recolha e apresentação de resultados factuais.

Hipólito-Reis, apaixonado pelo mistério da função enzimática no interior da teleonomia dos seres vivos que é, no essencial, a manutenção da própria vida, dá aos seus resultados experimentais uma leitura pessoal muito enriquecedora.
Trabalhando em condições adversas, sem tradição em estudos de bioquímica pura e aplicada, sem equipamento moderno e sem os recursos financeiros necessários conseguiu construir uma linha de investigação orientada para o esclarecimento de questões-chave da bioquímica moderna.

Pelo caminho ficaram numerosas intervenções no tecido social como a que está publicada nas Actas da Conferência Internacional “Os Portugueses e o Mundo” com este título significativo – Proposta para principiar uma verídica pedagogia portuguesa, as brilhantes argumentações em provas académicas, a oração de homenagem aos que foram mestres na sua área e a consolidação de um serviço de Bioquímica na Faculdade de Medicina do Porto – para citar apenas alguns momentos altos no seu percurso de intelectual e de universitário.
A Academia irá certamente ouvi-lo em muitas oportunidades.
Então todos os Confrades Académicos irão confirmar que a vida e os talentos de Cândido Alves Hipólito Reis não cabem nos cinco minutos desta apresentação académica.

Seja bem vindo, Prof. Hipólito Reis.


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